Cozido

COZIDO É TRADIÇÃO NA RIBEIRA ÀS SEGUNDAS-FEIRAS

Anúncio em uma das barracas

Se você procura um ambiente descontraído, comida tradicional de qualidade e preço baixo, as segundas-feiras no bairro da Ribeira te esperam. O cozido, prato de origem portuguesa que se adaptou muito bem aos costumes brasileiros, é a atração que faz turistas e baianos lotarem a Ribeira nas segundas-feiras. Os bares, restaurantes e barracas da Avenida Beira Mar, palco desta tradição, têm intenso movimento, que começa na hora do almoço e vai até o início da noite, num dia teoricamente morno para a maioria do comércio.

Num ambiente agradável com música ao vivo ou som mecânico, geralmente samba ou arrocha, o cozido é servido com tudo que se tem direito: verduras, carnes e pirão saborosos. O tão elogiado cozido custa entre R$ 15 e R$ 20, com porções para 2 ou 4 pessoas e cada barraca vende em média entre 25 e 35 pratos às segundas-feiras. “Quando o movimento está bom, a gente chega a vender até 40 porções”, revela Márcia da Silva, garçonete do “Recanto do Boca”.

Uma porção média de cozido

A maioria dos fregueses acha o preço bom. Júnior, morador do Bomfim, vem ao local com freqüência e acredita que “tanto a cerveja quanto o cozido são bastante acessíveis”. Na região, a cerveja bem gelada, como fazem questão de frisar os barraqueiros, varia de R$ 3,00 a R$ 3,50.

O cozido da Ribeira é badalado mesmo no inverno, porém é mais freqüentado no verão, em virtude do sol e das férias. “Os dias de maior movimento são domingo e segunda e esse movimento vai aumentando conforme chega o verão”, revela Dona Angélica, barraqueira da praia da Ribeira há cerca de 15 anos.

Barraqueira da praia da Ribeira Os barraqueiros se orgulham do fato de vir gente de todos os cantos para comer o cozido. “Se eu trato o baiano legal, tenho que tratar o turista também”, afirma Dona Angélica. São frequentemente vistos turistas brasileiros e estrangeiros, além dos muitos soteropolitanos. Edna Bispo, por exemplo, enfrenta mais de uma hora de ônibus de Cajazeiras à Ribeira, cerca de 2 vezes por mês, só para comer o cozido: “É tão bom que vale a pena”, diz. Além do cozido, a praia de águas calmas, o frescobol e o futevôlei são outros atrativos do local. Tatiana, 26 anos, acredita que a boa comida, o movimento e a bela paisagem são responsáveis por atrair tanta gente. “Apesar de não tomar banho de praia, eu venho para curtir”, conta.

Os bares da região não vendem só o cozido, mas também pirão de aipim com carne do sol, frutos do mar e outros tira-gostos. “Quando o prato atrativo [cozido] acaba, os fregueses pedem os outros e também saem satisfeitos”, revela Leide, garçonete do “Recanto do Boca”.

Segundo Dona Maria José, barraqueira há 25 anos, a tradição começou de uma iniciativa dos comerciantes em aumentar o movimento da “Segunda-Feira Gorda da Ribeira”, festa tradicional que acontece na segunda após a lavagem do Bomfim. “Os barraqueiros começaram a fazer cozidos às segundas e isso se espalhou de boca em boca. Eu estou aqui há muito tempo. Sou do tempo em que não existiam nem barracas, nem freezers, tudo era um ‘cacete armado’, feito de lona”, diz.

Por Verena Paranhos

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